Um currículo construído à mão num processador de texto costuma parecer inconsistente porque cada título, cada espaçamento e cada avanço de marcador foram definidos manualmente, um a um, em vez de regidos por um único estilo partilhado, pelo que pequenas diferenças se vão infiltrando sempre que o documento é editado; reconstruí-lo num modelo resolve isso ao descartar por completo a formatação manual e voltar a aplicar um estilo consistente ao mesmo conteúdo de base.
Porque é que um currículo formatado à mão perde consistência
Um processador de texto dá a quem escreve controlo total sobre o tamanho de cada título, o espaço entre cada secção e o avanço de cada marcador, e é exatamente esse controlo que causa o desvio ao longo do tempo. Um currículo editado ao longo de várias procuras de emprego, por vezes com anos de intervalo, tende a acumular pequenas inconsistências: um título de secção num tamanho ligeiramente diferente de outro, um espaçamento uns pontos maior debaixo de um título do que do seguinte, um estilo de marcador que muda a meio da página porque uma secção nova foi colada de outro sítio. Nenhuma destas diferenças acontece de propósito, e nenhuma é visível para quem as causou, já que cada edição parecia correta vista isoladamente, no momento em que foi feita. Lido no seu todo, porém, o documento acumula essas diferenças até formar uma página que parece subtilmente irregular, mesmo que nada nela esteja tecnicamente errado.
O problema de fundo é que um processador de texto não tem o conceito de "todos os títulos têm o mesmo aspeto" que um modelo tem; cada título é um objeto à parte com a sua própria formatação, e nada os mantém sincronizados automaticamente, a não ser que quem escreve volte a aplicar manualmente um estilo guardado a cada um deles, de cada vez.
O que acontece de facto quando o ficheiro é reconstruído
Reconstruir um currículo em Word num modelo começa por extrair o texto simples do ficheiro em vez da sua formatação: a CVBuilderKit lê as palavras diretamente de um ficheiro .docx carregado e passa esse texto a um passo de extração que o organiza em cabeçalho, experiência profissional, formação, competências e quaisquer outras secções que o conteúdo contenha. A formatação manual do ficheiro original, os tamanhos de letra concretos, os espaçamentos, o avanço exato de cada marcador, não atravessa esse passo de todo; apenas as próprias palavras e a sua posição no documento (que parágrafo vinha a seguir a qual) se mantêm. O que substitui a formatação é o estilo próprio e consistente do modelo escolhido, aplicado de forma uniforme a cada título, cada data e cada marcador ao mesmo tempo, para que a mesma categoria de conteúdo apareça sempre da mesma forma, em vez de depender de quão cuidadosamente foi formatada da última vez que o ficheiro foi mexido.
Isso também significa que a correção vem de mudar para um modelo, não de corrigir à mão a formatação do ficheiro Word original. Limpar um documento formatado à mão título a título esbarra no mesmo problema que causou o desvio à partida: uma correção manual só se mantém consistente até à próxima edição manual.
O que passa automaticamente, e o que precisa de verificação manual
A passagem de um documento formatado à mão para um modelo corrige automaticamente tudo o que era causado por formatação manual inconsistente: os tamanhos dos títulos correspondem em todas as secções, o espaçamento é uniforme ao longo da página, e os avanços dos marcadores deixam de depender da parte do documento onde foram originalmente escritos ou colados. O que não corrige automaticamente é tudo o que depende de identificar corretamente o que um determinado bloco de texto realmente é. Se o cargo e o intervalo de datas estavam na mesma linha no documento original sem um separador claro, o passo de extração tem de fazer uma avaliação sobre onde um campo termina e o outro começa, e essa avaliação costuma estar certa mas merece uma verificação rápida em vez de ser dada como garantida. O mesmo se aplica a uma secção que usava um título pouco comum no documento original, algo diferente de um simples "Experiência" ou "Formação", que ocasionalmente pode acabar numa secção diferente da pretendida.
Uma segunda coisa que vale a pena verificar à mão é a formatação e a consistência das datas. Um currículo formatado à mão construído ao longo de vários anos frequentemente mistura estilos de data, "jan. 2020" numa entrada e "2020-01" noutra, porque nada impunha uma convenção única ao longo de edições feitas em alturas diferentes. A versão reconstruída deve ler-se de forma fluida, com um formato de data consistente aplicado em todo o lado, e vale a pena uma passagem rápida para confirmar isso, porque um modelo corrige a formatação visual à volta de uma data mas não o texto subjacente da própria data se a extração o copiou exatamente como estava escrito.
Exemplo ilustrativo: título e espaçamento antes e depois
Antes, no ficheiro original do processador de texto: o título "Experiência Profissional" está a negrito de 14pt com um espaço largo por cima, enquanto um título "Formação" posterior, acrescentado numa sessão de edição diferente, está a negrito de 13pt com um espaço visivelmente mais apertado por cima, e nenhuma das duas diferenças foi intencional por parte de quem escreveu o documento.
Depois, na versão reconstruída com o modelo: ambos os títulos são apresentados com o mesmo tamanho, o mesmo peso e o mesmo espaçamento, determinados pelo estilo próprio do modelo em vez do que foi escrito naquele momento, pelo que quem lê e desce pela página vê um ritmo visual consistente entre cada secção, em vez de dois ritmos ligeiramente diferentes.
Construir a versão reconstruída
Carregue o ficheiro .docx existente no construtor para partir do seu conteúdo extraído em vez de uma página em branco, e escolha depois um modelo do conjunto completo de modelos com um esquema adequado à quantidade de conteúdo que o documento realmente tem. Assim que a extração assentar, leia cada secção como um leitor faria, verificando em especial qualquer linha em que o cargo, a data e a entidade patronal estivessem próximos no ficheiro original, e como escrever um currículo aborda as escolhas de redação que vale a pena rever assim que a própria formatação deixa de ser o obstáculo.
